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domingo, 2 de junho de 2013

: Aprender a Estudar : Um jovem com metas ambiciosas terá sempre de investir mais tempo no estudo do que nas outras ocupações.

    Aprender  a Estudar


Um jovem com metas ambiciosas terá sempre de investir mais tempo no
estudo do que nas outras ocupações.


INTRODUÇÃO


É natural e até saudável que um jovem ocupe parte do seu tempo com a música,
o desporto ou o convívio. Mas o estudante que deseja preparar o seu futuro tem de
consagrar também uma boa parcela de tempo aos estudos.
O estudo e as outras ocupações podem ser conciliados. Ninguém precisa de
renunciar à vida para ser bom estudante. Cabe a cada um optar e estabelecer a sua escala
de prioridades, isto é, fazer uma gestão racional do tempo, dedicando a cada tarefa o
tempo que ela merece.
Um jovem com metas ambiciosas terá sempre de investir mais tempo no
estudo do que nas outras ocupações.

Tempo de estudo

Se compararmos o rendimento de duas pessoas com capacidades intelectuais
semelhantes, veremos que vai mais longe aquela que dedica mais horas ao estudo.
Acontece até que muitos estudantes de ritmo lento  chegam a superar
colegas rápidos , só porque começam mais cedo e são mais regulares na
sua corrida.
É desejável que se dê ao estudo individual um mínimo de 10 horas, em
média, por semana. Mas claro que não basta gastar muitas horas em frente dos livros e
dos cadernos. Devem investir-se no estudo as horas mais rentáveis e fazer pausas,
sempre que necessário. Igualmente importante é cuidar do local de trabalho. Apenas um
sítio calmo, arrumado e confortável permite a concentração e o melhor aproveitamento
do tempo dedicado ao estudo.



 As horas mais rentáveis

O estudo é uma atividade «ciumenta» que exige as melhores horas do dia.
Quais são essas horas?

 Várias experiências provam que o rendimento intelectual da
manhã é superior ao da tarde e ao da noite. Ao princípio da tarde, ocorre sempre uma
quebra de vivacidade mental, fruto de uma certa sonolência que ataca toda a gente e não
apenas os que fizeram um «grande almoço». Quanto à noite, é natural que o cansaço
acumulado de um dia prejudique o rendimento, apesar de haver pessoas que se dão bem
a estudar na calma da noite.
As investigações indicam que a maioria das pessoas atinge o seu ponto alto de
atenção e de assimilação por volta do meio-dia. O fim da tarde parece igualmente
eficaz. No entanto, convém sublinhar que cada pessoa tem os seus ritmos biológico e
intelectual próprios. Muitos factores entram em jogo: o temperamento, os hábitos
individuais e as condições exteriores. Não se pode generalizar em excesso. Assim,
compete ao estudante observar-se e descobrir as suas horas mais rentáveis, as horas em
que, por norma, se sente com mais energia e capacidade de assimilação.
As horas mais rentáveis devem ser aproveitadas para «atacar» em força o
trabalho difícil. O trabalho mais fácil ou interessante pode ser deixado para ocasiões de
menor frescura.
Há dois momentos pouco recomendáveis para grandes esforços intelectuais:
depois de refeições pesadas e antes de dormir.
Logo a seguir a uma refeição mais pesada, a capacidade de concentração
diminui. A digestão física é inimiga das digestões intelectuais. Por isso se recomendam
refeições ligeiras antes de grandes esforços, como, por exemplo, a realização de uma
prova de avaliação.
Também antes de dormir deve ser evitado o esforço intelectual intenso, porque
perturba o sono e acaba por prejudicar o equilíbrio físico indispensável ao rendimento
escolar. Pouco antes de dormir, convirá executar apenas simples trabalhos para casa
(T.P.C.), recomendados pelos professores, ou fazer uma revisão ligeira da matéria já
aprendida.


 Pausas no trabalho

Quando se está há muito tempo com a mesma tarefa, quando a atenção começa a
divagar ou quando se emperra numa dificuldade, é vantajoso fazer uma pausa no
trabalho. Aproveitando o fim de um capítulo, o estudante pode fazer um intervalo ou
mudar de assunto.
Para aprender é necessário empenhar-se com entusiasmo.


 Fazer intervalos



Quanto tempo seguido se deve trabalhar?
 Tudo depende da matéria e da
capacidade do indivíduo. Os especialistas aconselham o estudo em «pequenas etapas»,
em pequenos períodos de esforço intenso e concentrado. De vez em quando, será útil
prolongar o trabalho por várias horas. Mas, habitualmente, três horas com um ou dois
intervalos rendem mais do que três horas seguidas. A regra geral pode ser esta: dez
minutos de intervalo por cada hora de estudo.

Pequenos intervalos de repouso facilitam a aprendizagem e a memorização.
Várias experiências confirmam que, por exemplo, para memorizar listas de vinte
números de igual dificuldade, um indivíduo precisa de ler, em média, onze vezes, se não
fizer intervalos. Em contrapartida, se fizer paragens de dez minutos entre cada leitura,
precisará apenas de ler cinco vezes...
Nos curtos períodos de intervalo, o estudante pode levantar-se, passear um
bocado ou fazer alguns exercícios físicos. São de evitar todas as actividades que
distraiam ou desmobilizem, como ver televisão. Durante o tempo de estudo, mesmo nos
pequenos intervalos, a televisão deve merecer «cartão vermelho».


Mudar de assunto


Para quebrar a monotonia e evitar a saturação, o estudante tem duas hipóteses:
ou faz um intervalo, como já dissemos, ou muda de assunto.
Uma nova tarefa ou o estudo de uma disciplina diferente podem estimular o
interesse, despertar a atenção e fazer subir o rendimento.
Cuidado, porém! É inconveniente mudar para outra disciplina semelhante à que
se estava a estudar, porque isso irá causar confusões.
Estudar, sem intervalos de
descanso, disciplinas de tipo semelhante, na forma ou no conteúdo (por exemplo, Inglês
e Francês), perturba a retenção e favorece o esquecimento. Matérias parecidas
interferem umas com as outras, «atrapalham-se» mutuamente.
Conteúdos diferentes (por exemplo, História e Matemática) são mais facilmente
aprendidos e recordados, porque há menos interferências ,

Para confirmar o que dissemos, basta dar um exemplo com números de telefone:
é mais fácil a confusão entre 362331 e 363123 do que a confusão entre 362331 e
544080, porque os primeiros números são muito semelhantes.
Intercalar matérias diferentes no estudo é um processo de evitar a fadiga
sem perder o rendimento.


 A eficácia de um horário

Um processo simples que permite aproveitar melhor o tempo é elaborar um
horário semanal para o estudo.
Interessa um horário realista que se ajuste às necessidades individuais e possa
ser cumprido. O horário deve ser flexível e ter em conta, em cada semana, os
compromissos inadiáveis das várias disciplinas. Para não esquecer esses compromissos
(trabalhos para casa ou testes), o melhor será usar uma agenda.
Não é fácil fazer nem cumprir um horário, mas vale a pena tentar. O horário não
é uma prisão ou uma «camisa de forças», de onde não se possa fugir. O horário é um
guia que leva o estudante a trabalhar com regularidade.
O trabalho regular (de preferência, todos os dias, às mesmas horas, no mesmo
local) representa um exercício de autodisciplina e uma segurança contra imprevistos.


 Exercício de autodisciplina


Um estudante que obedece a um horário aprende a disciplinar-se. Não faz apenas
o que lhe apetece, quando tem disposição. Não é escravo dos caprichos ocasionais. Não

cede tão facilmente às tentações do exterior. Concentra-se e cumpre, em cada momento,
a tarefa que impôs a si próprio: «agora estudo, logo farei outras coisas...».
A disciplina no trabalho é um trunfo fundamental para o sucesso nos
estudos e na vida. Uma pessoa metódica e organizada poupa tempo e energias. Os bons
hábitos, adquiridos agora, rendem juros elevados no futuro.

O trabalho pode implicar alguma dose de sacrifício, mas traz as suas
recompensas. O trabalho regular é a única prevenção eficaz contra a fadiga, as
confusões e o medo sofridos por quem guarda o estudo para a última hora .


 Ocupações extra-escolares


Um estudante que se preza dá prioridade ao trabalho escolar. Isso não significa
que viva afogado em obrigações, que seja «escravo do dever» e sacrifique todas as
ocupações extra-escolares. A escola não é, nem pretende ser, tudo na vida de uma
pessoa.
A questão está em saber seleccionar as actividades (desportivas, culturais ou
sociais) mais apropriadas para aproveitar os tempos livres, os fins-de-semana e as férias,
de modo a não desperdiçar inutilmente as horas.
Praticar desporto? Frequentar cinemas? Ver televisão? Dedicar-se à leitura, à
fotografia, à música ou à dança? Fazer colecções? Integrar-se num clube ou numa
associação? Meter-se num grupo de acção social? Depende dos gostos, do tempo
disponível e, por vezes, das possibilidades económicas.
E qual o critério a usar na escolha das ocupações extra-escolares?
 O estudante
ganha se der prioridade às atividades que favoreçam a saúde, o convívio e o contacto
com o mundo do trabalho.

A saúde — boa ocupação é aquela que protege a saúde, o equilíbrio
físico e psicológico. Ocupações saudáveis são, por exemplo, a leitura,
a música, a dança e o desporto.
O exercício físico regular e moderado (fazer natação, andar de
bicicleta ou simplesmente andar a pé) aumenta a sensação de bemestar
e dá um novo alento para o trabalho intelectual.
v O convívio — as melhores ocupações levam-nos ao convívio com
outras pessoas (familiares, amigos ou desconhecidos). É no convívio
que se cultivam e aprofundam as relações humanas indispensáveis ao
êxito na vida. Quem falha nas relações humanas é quase sempre um
falhado na vida.

 O contato com o mundo do trabalho — seria desejável que, na
ocupação dos tempos livres, o jovem aproveitasse para manter algum
contato com o mundo do trabalho.
O modo mais simples de conhecer o mundo do trabalho é conversar
com pessoas de cursos e carreiras profissionais diversos. Durante as
férias grandes, alguns jovens podem ir mais longe e arranjar emprego
em part-time, frequentar cursos práticos ou oferecer-se para trabalho
voluntário. Não faltam oportunidades. O contacto com o trabalho
abre novos horizontes e, por vezes, ajuda o estudante a descobrir
a sua vocação profissional. Pelo menos auxilia o estudante a ser mais
realista nos seus projectos de futuro.

Síntese

Se deseja gerir bem o seu tempo
- Estabeleça prioridades.
-Dê a cada actividade da sua vida o tempo que ela merece.
- Aproveite as suas horas de maior frescura física e inteletual para
«atacar» o trabalho mais difícil.
-Não prolongue demasiado os períodos de esforço intelectual.
-Faça pequenos intervalos de descanso.
- Evite estudar duas disciplinas de conteúdos semelhantes, uma a seguir à
outra.
- Esforce-se por ter um local de estudo calmo, arrumado e confortável.
- Elabore um horário pessoal que o ajude a estudar com regularidade.
- Escolha ocupações extra-escolares que favoreçam a saúde, o convívio e o
contacto com o mundo do trabalho.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Os Miseráveis Obra-prima do francês Victor Hugo desnuda com maestria a miséria material e a pobreza de espírito na conturbada França pós-revolução


LÍNGUA PORTUGUESA

Os Miseráveis

 

 

Obra-prima do francês Victor Hugo desnuda com maestria a miséria material e a pobreza de espírito na conturbada França pós-revolução



por Luís Edmundo Araújo

O romance completo, a história contada nos mínimos detalhes que vai, volta, viaja longe no tempo e no espaço e retorna ao cerne, ao ponto -chave da questão, como se nunca tivesse saído, e que por isso, pela fluidez com que sai do campo de batalha para a estalagem nos confins da França, e daí para a detalhada descrição geográfica e histórica de um convento e das ordens que o habitam, consegue segurar o leitor por dias, semanas e até meses submersos em suas quase 2 mil páginas. Publicado em 1862, em sete cidades da Europa ao mesmo tempo, Os miseráveis, do francês Victor Hugo, nasceu nas livrarias de Paris, Milão, Bruxelas, Budapeste, Leipzig, Roterdã e Varsóvia, e se espalhou pelo mundo, graças à força de personagens como Fantine, Javert e Jean Valjean, que inspirou dezenas de filmes por todo o planeta, do Japão à Índia, da antiga União Soviética ao Egito, do México ao Brasil, e isso há mais de um século. Os dois primeiros filmes baseados no romance de Victor Hugo, On the barricade e Le chemineau, datam de 1907, nos primórdios do cinema. O mais recente deles, versão do musical que fez sua estreia em 1980, em Paris, e depois foi sucesso na Broadway, com Anne Hathaway e grande elenco, é forte candidato, neste mês de fevereiro, a levar um ou outro Oscar, a estatueta fetiche do cinema americano.

A trama de Os miseráveis se passa entre dois episódios específicos da história francesa: a Batalha de Waterloo, em 1815, que representou o fim do sonho imperialista de Napoleão Bonaparte, e os motins de junho de 1832, em Paris, quando estudantes republicanos tentaram, em vão, derrubar o regime do rei Luís Filipe I. Na época de sua publicação, Victor Hugo tinha 60 anos e já desfrutava de grande prestígio, na França e fora dela. Tinha escrito clássicos como O corcunda de Notre Dame, mas nada foi maior em sua obra do que a epopeia de seus personagens pobres, sujos e desvalidos, cuja novidade era exatamente essa abordagem clara, escandalosa por pura falta de hábito, do ponto de vista das classes mais baixas, dos representantes de toda a miséria acumulada pelo absolutismo de Luís XIV, e depois nos reinados de Luís XV e Luís XVI, que desembocaria na Revolução Francesa e, mais tarde, em Napoleão.

O que Charles Dickens já começara a fazer na Inglaterra, mostrando a sociedade à margem do Império Britânico que habitava os submundos de uma Londres caótica, Victor Hugo, que também vinha retratando a miséria desde Claude Gueux, publicado em 1834, escancara com Os miseráveis. Cavou fundo nas camadas da conturbada organização social pós-revolução e revelou não só a miséria material, mas também a pobreza de espírito, que nem sempre caminham juntas, como nos mostra nesta breve introdução a um casal de personagens de suma importância na história.

Victor Hugo iniciou a concepção de Os miseráveis quase 40 anos antes de publicar o romance. Tinha 22 de idade quando, em 1824, começou a colher informações sobre a colônia penal de Toulon, de onde sai o protagonista Jean Valjean, ainda que, no caso de um livro desse porte e desse tamanho, os protagonistas sejam também, pelo menos, Fantine, Cosette e Marius, os outros três personagens que dão nome a quatro dos cinco volumes da história completa. Em 1837, o escritor visita finalmente a colônia penal que fornecia os remadores para o trabalho forçado nas galés, para remarem com os pés atados em correntes. Mas viveria ainda oito anos intensos antes de começar, no dia 17 de novembro de 1845, a redigir aquele que seria seu livro mais importante.

Após diversas tentativas frustradas, Victor Hugo foi eleito para a Academia Francesa em 1841. Em 1843, perdeu a filha, Léopoldine. Recémcasada com Charles Vacquerie, Léopoldine morreu aos 19 anos, afogada junto com o marido depois que o barco em que os dois viajavam virou, em Villequier. Dois anos depois, o escritor tinha acabado de receber o título de par de França quando foi flagrado num caso extraconjugal com Léonie Biard. Ela foi enviada a uma prisão e depois a um convento; ele se fechou em casa e começou a escrever Os miseráveis.

O contrato de edição da obra, com os editores Renduel e Gosselin, já estava assinado quando eclodiu a revolução de 1848, que destronou Luís Filipe I e instauou uma república bonapartista na França, mais tarde transformada em novo império, com Napoleão III. Eleito durante a república para a Assembleia Legislativa, Victor Hugo passa a dedicar-se à atividade parlamentar e deixa o romance de lado. Tenta retomá-lo três anos depois, mas a ebulição política da França da época não deixa. Em 1851, participa de uma frustrada tentativa de resistência ao golpe que instaurou o império de Napoleão III e vai para o exílio. O imperador ainda iria lhe oferecer anistia, mas o escritor não foi muito amistoso na resposta. “Quando a liberdade voltar, eu voltarei”, disse Victor Hugo. Foi no exílio que ele terminou de escrever Os miseráveis, mais precisamente em Mont-Saint-Jean, na Bélgica, nas proximidades do campo da Batalha de Waterloo, descrita, aliás, com maestria em quase 80 páginas do início do segundo volume do romance.

O mesmo rigor descritivo que pinça momentos específicos de uma das maiores batalhas da história, sem deixar de mostrar o plano geral, como a vitória pendeu de um lado a outro na movimentação dos dois exércitos gigantescos, serve também para expor os mínimos detalhes da geografia dos becos mais sombrios de Paris, desde a angulação das ruas, qual faz esquina com qual, às ranhuras de um muro, enfim, todas as nuances do terreno de outra batalha, essa particular, de um caçador, Javert, com sua presa, Jean Valjean. Os miseráveis é drama, sim, comédia, um pouco, mas é também ação e suspense na perseguição implacável de um personagem a outro, no duelo de inteligências e estratégias pelas ruas de uma Paris que começava a adentrar na era moderna, com todas as maravilhas e os horrores dessa transformação.

Na disputa anunciada em Os miseráveis, o conflito de classes que começava a emergir e a ganhar cada vez mais força com o início do processo de industrialização na Inglaterra e na França, o autor do romance escolheu um lado e não se preocupou em esconder sua posição. Estruturou sua maior obra em volta de personagens até então invisíveis para o resto da sociedade, como o forçado das galés ou a prostituta sem dentes, esfarrapada e doente. Ao fazer isso, não só mostrou ao mundo o espetáculo da miséria, sem filtros ou véus, como ajudou a despertar a compaixão pelos mais pobres, o que não torna absurdo dizer que a história de Jean Valjean, Fantine e companhia, além de clássico universal da literatura, ajudou a impulsionar uma até então inexistente política de solidariedade com os miseráveis da vida real.

No vaivém das quase 2 mil páginas de sua história, Victor Hugo tem domínio completo da narrativa. Mostra só um pouco de uma cena que bem poderia habitar o mundo do fantástico, quando Jean Valjean e Cosette estão pertos de encontrar abrigo nos jardins de um convento. Depois muda de assunto, se perde e se encontra em situações diversas daquela para, sem aviso, voltar ao mistério anunciado anteriormente e explicá-lo com a maior naturalidade, alijando qualquer possibilidade de que fantasmas ou forças do mal venham a habitar o romantismo mais que real de sua história, e surpreendendo mais uma vez o leitor. Não é à toa que Os miseráveis continuam a inspirar filmes e mais filmes, da França aos Estados Unidos, da Inglaterra à Itália, da Coreia do Sul à Turquia.

sábado, 11 de maio de 2013

Exame terá provas em outubro; inscrições vão de 13 a 27 deste mês

Enem 2013

Candidato pode conferir o edital; inscrições têm início na segunda-feira

Quinta-feira, 09 de maio de 2013 - 12:53
Os candidatos a vagas na educação superior que pretendem participar da edição de 2013 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) podem fazer a inscrição, exclusivamente pela internet, a partir de segunda-feira, 13, às 10 horas. O período se estenderá até as 23h59min do dia 27 próximo, de acordo com o horário oficial de Brasília. O edital do exame foi publicado nesta quinta-feira, 9.
Para os candidatos não isentos, a taxa de inscrição, de R$ 35, deve ser paga até o dia 29. Estão isentos os concluintes do ensino médio em 2013, matriculados em escola da rede pública declarada ao Censo Escolar da Educação Básica. Também não precisa pagar a taxa o participante com renda familiar per capita igual ou inferior a um salário mínimo e meio.

Provas — As provas serão aplicadas em outubro, no sábado, 26, e no domingo, 27, com início às 13 horas (de Brasília). Os portões de acesso aos locais de provas serão abertos às 12 horas e fechados às 13 horas, também de acordo com o horário de Brasília. Será proibida a entrada do participante que se apresentar após o fechamento dos portões.

O Enem, que avalia o desempenho escolar e acadêmico do estudante ao fim do ensino médio, é aplicado em todos os estados e no Distrito Federal. O resultado no exame permite ao candidato a participação no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que oferece vagas em instituições públicas de educação superior.

Uma boa avaliação no Enem é também requisito para participação do estudante nos programas Universidade para Todos (ProUni) e Ciência sem Fronteiras e para receber o benefício do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Estudantes maiores de 18 anos que ainda não obtiveram a certificação do ensino médio podem fazê-lo por meio do Enem.

O edital da edição de 2013 do Enem foi publicado no Diário Oficial da União desta quinta-feira, 9, seção 3, página 70 a 83.

As inscrições devem ser feitas a partir de segunda feira, 13, na página do exame na internet.

Diego Rocha

Leia também:
Exame terá provas em outubro; inscrições vão de 13 a 27 deste mês


Palavras-chave: Enem
 
 
 
 
 

Exame terá provas em outubro e inscrições vão de 13 a 27 deste mês

Quarta-feira, 08 de maio de 2013 - 18:38
Com o secretário executivo Henrique Paim, o presidente do Inep, Luiz Cláudio Costa, e o secretário de educação superior, Paulo Speller, o ministro Aloizio Mercadante anuncia a nova edição do Enem (Foto: Letícia Verdi/MEC) A edição 2013 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) será realizada em 26 e 27 de outubro. A inscrição deverá ser feita de 13 a 27 de maio. O prazo final para o pagamento da inscrição de R$ 35 é 29 de maio. O edital com todas as informações do Enem será publicado no Diário Oficial da União desta quinta-feira, 9.
No primeiro dia de aplicação do Enem, os candidatos farão questões de ciências humanas e ciências da natureza. No segundo dia de provas, serão aplicadas as questões de linguagens, códigos e suas tecnologias, redação e matemática.

Entre as mudanças no edital 2013, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, anunciou mais rigor na correção das redações. Este ano, a discrepância entre as notas dos dois corretores independentes não pode ultrapassar 100 pontos – no ano passado, a discrepância era de 200 pontos. Se houver discrepância maior de 100 pontos, a redação passa por um terceiro corretor. Caso a discrepância permaneça, a correção é feita por uma banca de especialistas.

A estimativa do Ministério da Educação é de que, com esta alteração no processo de correção, uma em cada três redações sejam encaminhadas ao terceiro corretor.

“A avaliação nossa é que foi muito positivo o êxito que tivemos. Mesmo assim a gente aprende. A vista pedagógica das redações é exatamente para ter um debate e aprimoramento do processo”, salientou o ministro. Segundo ele, os corretores também receberão aprimoramento no treinamento.

A partir desta edição também está prevista a anulação das redações que apresentem partes do texto deliberadamente desconectadas com o tema proposto. A mudança está prevista com a inclusão do item 14.9.5 no edital do Enem.

As redações são corrigidas com base em cinco competências, que valem de zero a 200 pontos. Redações com discrepâncias maiores que 80 pontos entre as competências também são corrigidas por um terceiro corretor. O novo edital do Enem prevê maior exigência no nível cinco da competência I – demonstrar domínio da norma padrão da língua escrita. Desvios gramaticais ou de convenções de escrita serão aceitos como excepcionalidade e quando não caracterizarem reincidência.

Logística – A previsão do MEC é de que mais de 6 milhões de pessoas façam o Enem este ano. A prova será realizada em 1.632 municípios brasileiros, em 15 mil locais de aplicação. A aplicação envolverá 600 mil profissionais, entre coordenadores, chefes de sala, fiscais e apoio. Este ano, o processo de certificação do Enem contará com 3.622 pontos de atenção.

Entre as melhorias desta edição do Enem, o MEC vai oferecer atendimento telefônico para todos os participantes que solicitarem atendimento específico e diferenciado.


Paula Filizola

Ouça exposição do ministro Aloizio Mercadante sobre o Enem 2013
Veja a apresentação do ministro Mercadante sobre o Enem

Palavras-chave: Enem

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

ANÁLISE DE OBRAS DE VÁRIOS AUTORES:As novas caras de Fernando Pessoa

Edição 185 - Janeiro 2013

As novas caras de Fernando Pessoa

Um grupo de jovens pesquisadores europeus e latino-americanos lança em Portugal vários inéditos do autor lisboeta. São poemas, contos, argumentos para cinema e ensaios sobre política
por Ricardo Viel

“I know not what tomorrow will bring”, escreveu Fernando Pessoa no dia 29 de novembro de 1935, horas antes de sucumbir a uma complicação hepática, provavelmente causada pelo excessivo consumo de álcool. Aos 47 anos e com apenas um livro publicado em português (Mensagem), o poeta fazia constar em seu derradeiro manuscrito, na cama de um hospital lisboeta, a dúvida inquietante: não sabia o que o amanhã traria.
Não sabia, mas desconfiava que o futuro lhe reservaria o reconhecimento não alcançado em vida. Já em 1912, numa séria de ensaios sobre poesia, Pessoa previu a iminente aparição de um “supra Camões”, alguém que “descolaria para segundo plano” a figura do autor de Os Lusíadas. Está claro que falava de si. E foi pensando nessa posteridade que guardou com tanto cuidado os milhares de papéis que escritos ao longo de quatro décadas. Deixou duas arcas que continham cerca de 30 mil folhas, na grande maioria, inéditas. Havia ainda textos publicados em revistas e jornais, além de cartas e outros itens particulares.
“Pessoa disse, certa vez, que o reconhecimento seria a memória futura. Claramente tinha a noção de sua genialidade”, aponta Vasco Silva, diretor do selo Babel, que nos últimos anos vem trazendo à tona muito texto desconhecido do autor. “Cerca de 30% do espólio segue inédito. Por diversas vezes, se pensou que o essencial da obra de Pessoa estivesse publicado, mas não está. Há material para décadas. Ele foi um trabalhador infatigável, e tratá-lo como poeta não é de todo correto. Afinal, escreveu até mais em prosa do que em poesia”, diz o publisher que, com orgulho, se apresenta como o editor que mais publicou Pessoa.


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*O poeta no colo da mãe, em 1888, e aos 7 anos, em 1895. Ele era trilíngue - dominava português, o inglês e o francês
 
No início dos anos 40, a Ática, dona do selo coordenado por Vasco Silva, foi a primeira casa a lançar versos do literato após sua morte. Ao longo das décadas seguintes, deu a conhecer a grandeza de heterônimos como Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Alberto Caeiro e Bernardo Soares. Deste último editou, em 1982, o Livro do Desassossego. A obra, de prosa, demonstrou que, ao contrário do que se dizia, ainda havia muita riqueza de Pessoa a ser descoberta. Trata-se da mesma sensação que se tem hoje com as recentes publicações de inéditos. São poemas, ensaios sobre tradições portuguesas e sobre política, contos, correspondências amorosas e até argumentos de filmes. Um tesouro que as editoras brasileiras ainda não adquiriram.
 
 
Grafia incompreensível

Causa estranheza que, 77 anos depois da morte de um dos maiores poetas do século 20, continue existindo tanto material desconhecido. Uma das explicações possíveis é que a pesquisa dos documentos legados por Pessoa nunca foi fácil. Primeiro, porque os papéis estiveram espalhados durante décadas e quase inacessíveis à consulta. Depois, porque Pessoa anotava em qualquer lugar – muitas vezes uma mesma página trazia extratos de textos diferentes –, e compreender sua grafia, principalmente a do final da vida, é tarefa quase de detetive. Das cerca de 30 mil folhas encontradas nas duas arcas, a grande maioria se constitui de manuscritos, embora haja alguns textos datilografados.
Não bastasse, o autor deixou centenas de projetos inconclusos, o que também dificulta a tarefa de ordenar o material. Escreveu sobre assuntos absolutamente diversos (filosofia, astrologia, ocultismo) e em três idiomas, já que nasceu em Lisboa, mas aos seis anos se mudou com a família para a África do Sul, onde foi alfabetizado em inglês. O francês, aprendeu quando adulto.
Hoje, quase todo o seu espólio está digitalizado e já não é necessário pagar direitos autorais de nenhuma obra aos herdeiros. Daí terem surgido recentemente tantas publicações com inéditos de Pessoa. Um dos responsáveis, e talvez o maior deles, por tal advento é Jerônimo Pizarro, colombiano de 35 anos que dedicou os últimos dez a estudar o legado do autor, com a ajuda de bolsas científicas. Em suas pesquisas nos papéis deixados pelo poeta, acabou por conhecer outros investigadores, jovens como ele – e, na maioria, estrangeiros –, que vêm desenvolvendo estudos semelhantes. Graças ao suporte do selo Babel, o colombiano passou a coordenar o grupo e as publicações dos novos livros, sejam os que trazem textos do próprio Pessoa, sejam os que discorrem sobre ele e seus heterônimos. Por sinal, foi devido a Alberto Caeiro que Pizarro travou os primeiros contatos com o escritor português, ainda na Colômbia, há 15 anos. “Lembro-me até hoje. Estava no gramado da universidade e tinha nas mãos um livro de poesia do Caeiro.”
“O Jerônimo revelou-se essencial para juntar pessoas que são completamente diferentes e que, se não fosse por ele, provavelmente nunca trabalhariam juntas”, diz Patricio Ferrari, doutor em linguística de 37 anos. O argentino editou em 2010, ao lado de Pizarro, o livro Provérbios Portugueses, compilação inédita de 300 máximas que Pessoa reuniu e traduziu para o inglês entre 1913 e 1914.




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*À esquerda, o autor com 27 anos. À direita, em outro retrato famoso, caminhando por Lisboa

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Em fevereiro de 2003, após uma longa viagem à Índia, Ferrari – que morou por uma década nos Estados Unidos –fazia mestrado em literatura comparada na França quando, aconselhado pelo irmão, leu o poema Tabacaria, de Álvaro de Campos. Sentiu uma empatia tão profunda que, meses depois, desembarcou em Lisboa para continuar seus estudos, agora tendo como foco a poesia trilíngue de Pessoa. Caminho parecido seguiu o filósofo Antonio Cardiello, também de 37 anos. Em 1999, por recomendação de um amigo, o italiano de Padova leu o Livro do Desassossego. “Comecei a folhear uma versão traduzida numa livraria. Como não sabia quem era Pessoa, achei que estivesse vivo. Foi um amor cego. Não conseguia entender como um autor desconhecido internacionalmente podia ter escrito prosa tão linda e tão fecunda em termos filosóficos.”
À semelhança dos outros dois pesquisadores, Cardiello chegou a Lisboa atraído pelo poeta e sem falar português. “Em 2006, conheci o Pizarro, que me levou à Biblioteca Nacional, onde está guardado o espólio. Até então, me parecia que Pessoa não passava de uma invenção, talvez do [Jorge Luis] Borges. Só tive certeza de que realmente existiu quando vi aquele material, com a caligrafia dele.” Cardiello e o colombiano editaram, em 2012, a antologia Prosa de Álvaro de Campos e desnudaram uma faceta inesperada do heterônimo que se dizia engenheiro.
 
Companheirismo

Além da equipe ligada a Pizarro e do selo Babel, há outros investigadores descobrindo novas caras do poeta e outras editoras publicando materiais inéditos. Em 2012, a Assírio Alvim, por exemplo, lançou uma coletânea de contos de Pessoa e um livro com as cartas de amor trocadas entre ele e a namorada Ofélia. Não é casual, aliás, que sejam pesquisadores jovens e em sua maioria estrangeiros que estejam na vanguarda dos estudos pessoanos. Como se viu, para fazer um trabalho de qualidade a respeito do literato, é necessário debruçar-se sobre os milhares de papéis deixados por ele, tarefa que requer tempo e disciplina. Boa parte dos estrangeiros que chegou a Lisboa na década passada com o intuito de analisar o escritor tinha bolsas acadêmicas e podia se dedicar exclusivamente à pesquisa. “Curiosamente, não há vaidade entre nós. Pelo contrário, existe muito companheirismo. Um ajuda o outro, até mesmo a decifrar a caligrafia de Pessoa”, garante o espanhol Pablo Javier Pérez López, 29 anos, que descobriu “o poeta filósofo” numa visita a Portugal. Ele publicou recentemente na Espanha um livro sobre a filosofia na obra do lisboeta (Poesía, Ontología y Tragedia en Fernando Pessoa).
Essa união de cérebros num projeto coletivo era algo até então raro nos estudos do autor português. Havia muita competição e desconfiança entre os investigadores, e cada um guardava suas descobertas como se fosse um segredo. “Quando se diz que cada pessoano quer o poeta só para si é verdade. Mas nossa geração procura ficar fora disso”, afirma Cardiello. Sob a ótica do italiano, a chave para estudar e editar Pessoa é ser humilde e não buscar sentenças conclusivas. “Todos nós corremos o risco de assumir uma posição definitiva em relação à obra e aos pensamentos dele, o que seria uma tolice. Pessoa nunca foi definitivo.” “Sê plural como o universo!”, escreveu certa vez o autor, dando a pista de que não se deve buscar a unidade em sua obra e, sim, tratar de entendê-la como uma colcha de fragmentos.
Não à toa, o trabalho de editar o literato sempre se mostrou complexo e bastante subjetivo. Maior prova disso são as várias versões do Livro do Desassossego, diferentes inclusive em número de páginas. Às vezes, nem mesmo Pessoa sabia como classificar as próprias criações. Nos congressos sobre ele, os pesquisadores frequentemente citam um documento do espólio. Trata-se de um manuscrito em que o poeta anotou: “Álvaro de Campos ou Livro do Desassossego ou outra coisa qualquer”. Editar é, de certo modo, também criar um novo Pessoa.
 
Um dia especial

O fato de jovens estrangeiros estarem atualmente na vanguarda dos estudos sobre o escritor causa certa tensão entre acadêmicos e especialistas portugueses. Uma das críticas, quase sempre feita na surdina, é de que os novos pesquisadores inflam desnecessariamente a bibliografia do autor ao publicar textos menores. Mas também há espaço para elogios: “O trabalho desse grupo é muito importante por abrir novas possibilidades de investigação acerca de Pessoa”, avalia Manuel Portela, professor da Universidade de Coimbra e coordenador de um projeto de reedição virtual e coletiva do Livro do Desassossego.









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*Das esq. para a dir., Patricio Ferrari, Jerónimo Pizarro e Antonio Cardiello. Os três são responsavéis por muitas das novas descobertas sobre Fernando Pessoa
 
Entre as empreitadas que o grupo de Pizarro levou adiante, destacam-se a digitalização e a catalogação da biblioteca pessoal do poeta, que se encontra na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa. A tarefa é importante por dois motivos. Primeiro, porque, ao analisar minuciosamente a biblioteca, consegue-se decifrar o que o literato estava lendo enquanto escrevia determinados textos. Ou melhor: pode-se avaliar a influência de certos autores em sua obra. O segundo motivo deriva da peculiaridade de o escritor fazer muitas notas marginais em seus livros. Por isso, ao folheá-los, existe a chance de descobrir preciosidades. Foi o que aconteceu numa tarde de 2008, quando Cardiello se encontrava sozinho na Casa Fernando Pessoa, escarafunchando o livro Pioneer Humanists, de John M. Robertson. Na última página, se deparou com umas anotações. “Gosto do céu porque não creio que elle seja infinito/ Que pode ter comigo o que não começa nem acaba?”, diziam as primeiras linhas de uma poesia sem título de Alberto Caeiro. “Vi que se tratava de um poema completo, acabado, mas imaginei que o Jerônimo já o conhecia. Quando ele voltou do almoço e leu os versos, percebemos que estávamos diante de algo inédito. Foi um dia muito especial”, recorda o italiano.
Depois de anos em Portugal, a legião estrangeira de pesquisadores começa se separar. Pérez Lopez regressou à Espanha. Pizarro voltou a Bogotá, onde é professor catedrático de literatura. Ferrari obteve uma bolsa de pós-doutorado e passará seu tempo entre Lisboa, Rhode Island e Estocolmo. Já Cardiello sonha em ir para o Brasil. “A situação na Europa está muito difícil. Aqui não acontece mais nada. O único país que pode seguir os passos de Portugal na tarefa de divulgar Fernando Pessoa é o Brasil.” O grupo se distancia geograficamente, mas tem claro que sua missão não terminou. “Ainda desconhecemos muito do que o Pessoa conhecia”, resume Pérez Lopez.


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Ricardo Viel é jornalista.




domingo, 4 de novembro de 2012

GABARITO DO ENEM 2013

23 de outubro de 2012

GABARITO DO ENEM 2013 Gabarito do ENEM 2013 – veja quando e onde estará disponível! Conforme previsto no edital do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) vai disponibilizar em seu site oficial o gabarito oficial do Enem 2013 com as respostas corretas de cada uma das 180 questões. A consulta pode ser feita durante qualquer período do dia.
As provas desta edição do Enem serão aplicadas nos dias 03 (sábado) e 04 (domingo) de novembro. O INEP estabelece um prazo para divulgação das respostas, de até três dias úteis, contados a partir da aplicação do Exame. Esse tempo é considerado necessário para casuais ajustes ao gabarito oficial no que diz respeito às eventuais questões anuladas ou demais recursos.
Para acessar o gabarito do ENEM 2013, acesse o Portal do Enem no Inep. A consulta é direta e não necessita de informações pessoais, como CPF (Cadastro de Pessoas Físicas), número de inscrição e senha. Lembrando que essas são as alternativas corretas de cada questão, mas não é, de fato, o resultado final. Este, por sua vez, será devidamente calculado e será divulgado no boletim de desempenho individual do ENEM 2013, provavelmente na segunda metade de dezembro.
O Exame Nacional do Ensino Médio possui diferentes cadernos de questões, com quatro cores distintas (rosa, amarela, azul e branca). Cada caderno de questões contém 90 itens de duas áreas de conhecimento. No sábado, os participantes resolveram as 45 questões de Ciências Humanas e as 45 de Ciências da Natureza. No domingo, foram resolvidas as mesmas quantidades de Linguagens e de Matemática.
Para fazer um balanço correto do número de acertos é preciso ter atenção, pois o gabarito é separado pelos dias e pelas cores. Caso você tenha resolvido as questões do segundo dia em caderno de cor diferente do primeiro, não se preocupe. Durante o acesso às respostas, é possível verificar separadamente o gabarito da prova rosa, gabarito da prova amarela, gabarito da prova azul e gabarito da prova branca do ENEM 2013.
Após conferir todas as suas respostas, compare seu desempenho com o número de acertos de seus amigos para ter uma noção de como se saiu. Tão logo for publicada pelo INEP, a nota do ENEM 2013 será divulgada aqui em nosso site. A média final leva em conta não somente o número de acertos, mas também o grau de dificuldade de cada item.

sábado, 27 de outubro de 2012

Conversor Ortográfico

 

Conversor Ortográfico


Tire suas dúvidas sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa e consulte a nova grafia das palavras que foram alteradas, por intermédio do conversor ortográfico, que mostra e explica como a palavra deve ser escrita, de acordo com a nova regra.
Conversor ortográfico

Palavra na nova regra ortográfica

segunda-feira, 30 de julho de 2012





O Ministério da Educação e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) lançam hoje, 30/7, o guia de redação do Enem, um volume de 48 páginas, divididas em quatro partes:

* Apresentação pelo presidente do Inep, Luiz Cláudio Costa

* Detalhamento da Matriz de Correção da prova do Enem

* Análise da proposta de redação do Enem 2011

* Análise de redações nota 1.000 no Enem 2011.

"A redação no Enem 2012 - Guia do participante" terá inicialmente uma tiragem de 1.700.00 cópias, a serem distribuídas às escolas públicas de todo o Brasil. Haverá também cópias em Braille e na forma ampliada, para pessoas com déficit de visão.

- Clique aqui para conferir o guia de redação do Enem (formato PDF).

Foram selecionadas redações que receberam a nota máxima (1.000 pontos) no Enem 2011 e aparecem no Guia com comentários. No Guia, considera-se que seus autores "desenvolveram o tema de acordo com as exigências do texto dissertativo-argumentativo" e demonstraram "domínio da norma culta de língua escrita".

Segundo o presidente do Inep, o objetivo do Guia é "tornar o mais transparente possível a metodologia de correção da redação, além de explicar o que se espera do participante em cada uma das competências avaliadas": "Queremos que o Guia contribua para aperfeiçoar o estudo, exemplificar os critérios e mostrar como se faz uma boa redação".

O Guia foi elaborado pela equipe da Diretoria de Avaliação da Educação Básica (Daeb) do Inep, em conjunto com especialistas em Língua Portuguesa. É mais uma ação para tornar a correção da redação do Enem mais transparente, aperfeiçoando os critérios de correção e, ao mesmo tempo, ampliando o quadro e o treinamento de avaliadores, com a participação efetiva das universidades e institutos federais do país.

Além de lançar o Guia de redação, o Inep publica uma Chamada Pública para convocar as instituições de ensino a fazer estudos e pesquisas em avaliação educacional e psicometria relacionados às provas aplicadas. O objetivo do edital, mais uma ação estruturante do Inep com vistas ao aperfeiçoamento das políticas públicas na área, é subsidiar diagnósticos mais precisos e induzir mudanças nas práticas de gestão e ensino, por meio de melhorias nos sistemas de avaliação escolar. O valor total do edital é de R$ 2 milhões.

* Fonte: site do Inep - portal.inep.gov.br.

 

 

 

 

sábado, 16 de junho de 2012

Vunesp divulga resultado da primeira fase do vestibularA consulta aos locais de prova da segunda fase já está disponível

Vunesp

Vunesp divulga resultado da primeira fase do vestibularA consulta aos locais de prova da segunda fase já está disponível
[15/06/2012] 
A Vunesp divulgou hoje (15/06), às 10h, nos sites http://vestibular.unesp.br e www.vunesp.com.br, os nomes dos candidatos que farão a segunda fase do Vestibular Meio de Ano da Unesp. São oferecidas 465 vagas para as unidades de Bauru, Dracena, Ilha Solteira, Ourinhos, Registro e Sorocaba. A consulta de local de prova também pode ser feita nos endereços citados acima.
A prova da segunda fase, que inclui Conhecimentos Específicos e Redação, está marcada para os dias 23 e 24 de junho (sábado e domingo). No primeiro dia, os candidatos responderão a 24 questões de ciências humanas, ciências da natureza e matemática. No último dia, a avaliação consistirá em 12 questões de linguagens e códigos e uma redação. Todas as questões são dissertativas, e a duração de cada dia de prova será de 4h30.
Além das cidades onde há oferta de vagas, os exames também serão realizados em Campinas, Guaratinguetá, São José do Rio Preto e São Paulo. O resultado final será divulgado em 12 de julho, nos sites da Unesp e da Vunesp. 

Sobre a Unesp
A Universidade Estadual Paulista está presente em 23 cidades do Estado de São Paulo com 33 faculdades e institutos, onde desenvolve atividades de ensino, pesquisa e extensão em todas as áreas do conhecimento. Fundada em 1976, a instituição oferece 171 cursos de graduação e 118 programas de pós-graduação. Tem 46.634 alunos (35.929 na graduação, 10.705 na pós sctricto sensu), 3.543 professores e 7.153 servidores técnico-administrativos. Possui cerca de 1.900 laboratórios e um Hospital de Clínicas.
Oferece cursos pré-vestibulares gratuitos em suas unidades, bem como diversos programas de extensão de serviços à comunidade. Três escolas de ensino técnico são mantidas pela Universidade: o Colégio Técnico Industrial em Bauru, o Colégio Técnico Industrial em Guaratinguetá e o Colégio Técnico Agrícola em Jaboticabal.
Mais informações: Disque Vunesp – (11) 3874-6300 (dias úteis, das 8 às 20 horas) Sites – http://vestibular.unesp.br e www.vunesp.com.br .
Asssessoria de Comunicação e Imprensa da Vunesp

sábado, 9 de junho de 2012

Revista Cult » Coronelismo intelectual;Do Líbano à Síria e ao Bahrein, do Egito ao Irã e Yêmen, a geopolítica da região irá sofrer mudança radical ;A democracia moderna e a estetica da moeda

 

 

 

A democracia moderna e a estetica da moeda

Na sociedade em que tudo se pauta pela exibição midiática, desaparece o pudor, atestando-se o enfraquecimento do sentimento de vergonha ligado à moral social
 
Olgária Matos
Ilustração Adriano Paulino
Favorecimentos ilícitos, informações privilegiadas, tráfico de influências, gratificações particulares, desvio de verbas públicas, suborno, omissões por interesses próprios ou partidários, formação de cartéis e negligências várias são, nas democracias modernas, práticas de corrupção e, como tais, sujeitas às leis que regulam infrações.
Deixando-se, pois, à Justiça a função de julgar, absolver ou condenar o governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, em 2010, sua detenção suscitou, como veiculado pela mídia, júbilo, como ocorreu também com a do ex-governador Paulo Maluf, a dos proprietários da Daslu e da Schincariol, respectivamente. Os dominantes não estão acima da lei.
Como, desde o impeachment do ex-presidente Fernando Collor até o presente momento, o fenômeno só se tem ampliado – não se tratando apenas de segredo de informação como antes, mas de algo com maior visibilidade agora –, compreende-se que as diversas figuras da corrupção não são fato isolado, mas atravessam a sociedade inteira.
Identificando nas democracias contemporâneas dispositivos que colocam as práticas autorizadas no limiar da ilegalidade, o filósofo Walter Benjamin anotou: “O valor venal de cada poder é calculável. Nesse contexto só se pode falar de corrupção onde esse fenômeno se torna excessivamente manipulado. Tem seu sistema de comando num sólido jogo entrelaçado de imprensa, órgãos públicos, trustes, dentro de cujos limites permanece inteiramente legal” (“Imagens de Pensamento”, Rua de Mão Única).
A violência da moeda
O dinheiro como valor hegemônico na sociedade contemporânea supostamente promove a ascensão social, baseada exclusivamente em critérios econômicos e no prestígio do dinheiro. Em seu livro O Processo Civilizatório, Norbert Elias analisa os primórdios da “revolução burguesa” na França, indicando a democratização dos costumes da corte. A burguesia, no esforço de alcançar uma legitimidade que não fosse a do dinheiro (que ainda não se impusera como valor), procurou “aristocratizar-se”, adotando a etiqueta e “as boas maneiras” como medidas da polidez e da convivialidade. Como lhe faltava o universo de tradições e méritos da nobreza, esforçou-se para ascender aos bens culturais.
Mas, com a institucionalização da sociedade de consumo, os bens culturais, que exigiam iniciação para serem compreendidos em suas linguagens próprias – como as artes e os saberes literários –, foram sendo abandonados e passaram a se reger pela obsolescência constante. De onde o advento de “modas intelectuais”. A ideologia do “novo-rico” prescinde até mesmo do “verniz da cultura”.
A ideologia dominante em uma sociedade, como Marx observou, é a da classe dominante, e, em nosso tempo, a dos “novos-ricos”. O “novo-rico” é aquele que conhece o preço de todas as coisas, mas desconhece seu valor. Sob seus auspícios, a educação produz uma cultura que atrofia a sensibilidade e o pensamento; a educação é entendida pela ideologia do “novo-rico” como “ serviço” e como mercadoria mais ou menos barata, dos quais o novo-rico é cliente e consumidor.
A perda da autoridade
A política institucional contemporânea participa da falência da escolaridade e da ética que a ela se vinculava quando a educação, ao menos em seus princípios fundadores, humanistas e republicanos, propunha, primordialmente, formar as crianças para fazer delas adultos mais felizes e melhores.
As detenções espetaculares de acusados de crimes do “colarinho branco” promovem uma pseudocatarse da sociedade, de onde não estão ausentes a agressividade e a “pulsão de morte”. Do outro lado, a estética “novo-rico” opera com dólares nos sapatos ou maços de reais nas roupas íntimas.
Na sociedade panóptica, em que tudo se pauta pela exibição midiática, desaparece o pudor, atestando-se o enfraquecimento do sentimento de vergonha ligado à moral social que, por sua vez, diz respeito à “flexibilização” do sentimento de culpa na consciência moral. O fim da autoridade paterna e o “pai humilhado” coincidem com a sociedade infantilizada em que não se reconhece mais a diferença entre as gerações, entre pais e filhos, masculino e feminino, bom gosto e mau gosto. Em tempos comandados pela ideologia “novo-rico”, tudo pode ser dito e mostrado; cada um de nós é chamado a apresentar em público atos e sentimentos como se fossem ideias.
Mídia e difamação: o comprometimento da democracia
A República moderna e a democracia, em suas origens e fundamentos, basearam-se, uma vez associadas, na confiança e no “franco dizer” de todos os cidadãos, isto é, na liberdade de expressão, diversa, esta, da delação. Porque hoje prospera a desconfiança como forma de sociabilidade, as delações programadas e premiadas – elaboração de dossiês sensacionalistas em época eleitoral ou denúncias por parte de funcionários e auxiliares de governo – estão se constituindo como práticas reconhecidas e aceitas pelos poderes instituídos e pela opinião pública, com recompensa cash e com a diminuição de penas criminais dos delatores quando estes são criminosos condenados pela Justiça.
O convite à delação tem uma história, cuja expressão mais próxima foi a Revolução Francesa, que reabilitou as medidas do Ancien Régime em jornais publicados entre 1789 e 1791, como La Dénonciation Patriote (A Denúncia Patriótica), L´Espion de Paris (O Espião de Paris) e L’Écouteur aux Portes (O Espreitador de Portas). Denúncias de vizinhos, cartas anônimas ou dossiês preparados para esses fins ocorreram também durante a ocupação alemã em Paris, na Segunda Guerra Mundial, bem como foi rotina nos regimes totalitários, na Alemanha durante o nazismo e na URSS, convertendo-se em política de Estado sob Stalin.
Da demagogia à difamação, do jogo com as engrenagens da Justiça ao direcionamento da opinião pública, da obsessão com a segurança nacional ao patriotismo perverso, da vigilância cidadã ao fim da tranquilidade individual, da defesa do bem público à transgressão do espaço privado, a delação está ligada aos momentos mais sombrios da história. O estudo da delação ao longo do tempo oferece-nos suas relações com o espaço público em que se mesclam verdades e seu contrário, informações e falsificações, intervindo diretamente na formação da opinião pública.
Na ausência de um ministério público, a Atenas democrática antiga – a mesma que inventou a política, o teatro e a filosofia – criou o “delator público”, que dizia respeito à proteção do espaço comum partilhado, o qual reinava soberano. E, para reparar seus abusos, julgava-se também o acusador, analisando suas intenções, a classe social de que provinha e outras circunstâncias de sua vida, podendo ele também ser condenado para o bem da cidade, caso suas intenções fossem de vingança, estritamente subjetivas ou particulares.
Resta saber se o recurso à delação voluntária mediante recompensa em dinheiro não induz à corrupção – dadas as oportunidades que se oferecem para quem procura desembaraçar-se de um adversário indesejado ou então para aquele que se deixa comprar por ele – e, ainda mais, quando vai se tornando um meio para o funcionamento da Justiça. 
Olgária Matos é professora titular de filosofia na Unifesp 

 

 

 

 

 

 

Coronelismo intelectual

Não há muita diferença entre a mesa de bar e a mesa-redonda dos acadêmicos
Podemos chamar de “coronelismo intelectual” a prática autoritária no campo do conhecimento. Este campo é extenso, começa na pesquisa científica universitária e se estende pela sociedade como um todo, dos meios de comunicação ao básico botequim onde ideias entram em jogo.
Coronelismo intelectual é a postura da repetição à exaustão de ideias alheias. A reflexão só atrapalharia, por isso é evitada.
Encarnação de prepotente eloquência, o paradoxo do coronelismo é alimentar uma ordem coletiva de silêncio em que o debate inexiste, o culto da verdade pronta ou da ignorância é a regra, bem como a apologia ao gesto de falar sem ter nada a dizer, que culmina no discurso tão vazio quando maldoso da fofoca, versão popular do eruditismo.
Não há muita diferença entre a mesa de bar e a mesa-redonda dos acadêmicos parafraseando qualquer filósofo clássico apenas pelo amor ao fundamentalismo exegético.
Enquanto todos falam sem nada dizer, ajudados pelo jornalista que repete o que se entende pela sacrossantificada “informação”, mercadoria da contra-reflexão atual, os coronéis podem comentar que os outros é que não sabem nada e praticar o “discurso verdadeiro” em seus artigos estilo “mais do mesmo”, moedinha cadavérica com que se enche o cofrinho das plataformas de medição de produtividade acadêmica em nossos dias.
O coronelismo intelectual infelizmente segue forte na filosofia e nas ciências humanas, na verdade dos especialistas, tanto quanto na dos ignorantes que se separam apenas por titulação ou falta dela. Professores e estudantes, sábios e leigos, todos se servem metodologicamente dos frutos dessa árvore apodrecida. A prática do pensamento livre que se autocritica e busca, consciente de sua inconsciência, seu próprio processo de autocriação talvez seja a contraverdade capaz de cortá-la pela raiz.
Intelectual serviçal
Eis a cultura do lacaio intelectual, do bom serviçal sempre pronto à reprodução do mesmo. Nela, a boa ovelha especialista em assinar embaixo as verdades do senhor feudal que um dia as emitiu num ritual de sacralização já não é fácil de distinguir do lobo. A semelhança entre o puxa-saco, o crente e o líder paranóico que o conduz revela a verdade do mimetismo. Os seguidores dos líderes, de rabinho entre as pernas, latem para mostrar que aprenderam bem o refrão.  Abanam as asas ao redor da lâmpada esperando que ela também fique onde está, do contrário não saberiam o que fazer.
As consequências do coronelismo em um país de antipolítica e anti-educação generalizadas como este é algo ainda mais grave do que o medo de pensar. É o fato de que já não se pensa mais. A ausência de debate não é medo de expor ideias, mas a falta delas. Inação é o corolário da impossibilidade de mudar, porque o campo das ideias onde surge a vida já foi minado. O coronel ri sozinho da impossibilidade de mudanças, pois ele ama a monocultura enquanto odeia o cultivo de ideias diferentes ou de ideias alheias. O autoritarismo intelectual não é feito apenas de ódio ao outro, mas da inveja de que haja exuberância criativa em outro território, em outra experiência de linguagem. Conservadorismo é seu nome do meio.
Coronelismo não é simplesmente a zona cinzenta onde não podemos mais distinguir o ignorante do culto, mas a política generalizada introjetada por todos – salvo exceções – pela letal dessubjetivação acadêmica da qual somos vítimas enquanto algozes e que, no campo do senso comum, surge como robotização e plastificação das pessoas entregues como zumbis aos mecanismos do nonsense geral, que, é preciso cuidar, deve ser aparentemente desejável pela liberdade de cada um.
Contra a escravidão intelectual somente um contradesejo pode gerar emancipação. A prática da invenção teórica, a liberdade da interpretação e de expressão nos obrigam a ir contra os ordenamentos da ditadura micrológica do cotidiano, em que a lei magna reza o “proibido pensar”. A direção, como se pode ver, parece que só se encontra, atualmente, no desvio dos caminhos dados.






Incerto amanhã

Do Líbano à Síria e ao Bahrein, do Egito ao Irã e Yêmen, a geopolítica da região irá sofrer mudança radical

Rebelde líbio em Sidra
Olivier Roy
As revoltas espalham-se pelo Oriente Médio, e os jovens que lançaram o movimento de protesto ganham a adesão de um número crescente de manifestantes. Isso nos leva a perguntar onde tudo isso vai terminar e quais serão as consequências geoestratégicas. Seria presunção afirmar que já temos respostas perfeitas neste momento, mas, mesmo assim, podemos começar a refletir sobre essas perguntas.
Se em alguns países a situação é de tudo ou nada (na Líbia, Muammar Gaddafi ou vai afogar a revolta em sangue ou vai desaparecer), em outros estamos assistindo a um exercício de contenção de danos, algo em que o regime atual cria a aparência de estar mudando e, ao mesmo tempo, se esforça para manter as mudanças no menor nível possível.
E, se as potências ocidentais estão aplaudindo o processo de democratização, por enquanto elas não deixam de estar obcecadas pela necessidade de conservar a estabilidade – ou seja, o status quo estratégico: uma paz fria entre Israel e o mundo árabe e a tentativa de montar uma frente unida para isolar o Irã.
Conservadores de várias linhas em diversas sociedades árabes também se preocupam com o rumo provável do movimento democrático e buscam algum tipo de solução de meio-termo.
Um conflito de gerações percorre a oposição às diversas autocracias. Isso se evidencia especialmente no caso daIrmandade Muçulmana, no Egito. A geração mais velha que controla o aparatopartidário ainda está seduzida pelo culto ao líder carismático. Ela é socialmente conservadora e teme que a revolta se espalhe. Embora aceite o pluralismo político, sua cultura não é democrática, e ela desconfia da liberdade de expressão e do debate.
Poderia uma Irmandade Muçulmana tradicionalista tornar-se parceira de um Exército que procura
interlocutores que compartilhem seu desejo de ordem e sua rejeição aos novos movimentos sociais?
Em toda a região, na ausência de elementos do próprio movimento, as figuras que estão administrando a transição vêm do velho regime. Elas não aderiram à cultura política dos manifestantes. Continuam trancadas em uma mentalidade autoritária, pedindo o retorno à normalidade. Não compreendem que anunciar eleições e um punhado de reformas já não é o bastante para tirar as pessoas das ruas.
Cada vez mais é o desemprego ou subemprego entre os jovens que move protestos que reivindicam o fim da monopolização de grandes setores da economia por uma elite. Em todos os países afetados, com exceção da Tunísia, o Exército faz parte dessa elite.
Está claro que, na maioria dos casos, a oposição à moda antiga vai sentir-se tentada a buscar um entendimento com as elites entrincheiradas. Estas, por enquanto, estão prometendo restabelecer um governo que certamente se mostrará mais aberto, mas que nem por isso deixará de ser autoritário.
A divisão crítica aqui é de ordem geracional, mais que ideológica. Uma nova geração de Irmãos Muçulmanos, que já era visível na esfera pública e na internet, está sujeitando os princípios da Irmandade à prova da democracia e da liberdade de expressão.Essa nova geração uniu-se às manifestações na Praça Tahrir, no Cairo, contrariando os conselhos da liderança da organização.
O mesmo se aplica à geração mais jovem de cristãos coptas, que não quer mais ser representada pelo patriarca, o papa Shenouda 3º.
O problema é que as elites no poder, assim como uma parte da oposição convencional, ainda não
compreenderam quão inovador é o movimento de protesto. Não compreenderam que ele é não violento, que fala em nome da democracia e do pluralismo e que não usa a ideologia para disfarçar divisões sociais.
Em lugar disso, abraça todos os setores da sociedade exceto a família governante e inutiliza todos os velhos instrumentos da repressão, que empregava um misto de violência e suborno.
O que está sendo rejeitado é uma cultura política que sobrevive há 60 anos no Oriente Médio: a aparência de unidade em torno de uma causa (o povo árabe, o islã ou a Palestina) e um líder (o zaim), um Estado erguido sobre os serviços secretos (os mukhabarat) e a vilipendiação de todos os adversários, tachados de traidores a serviço de potências estrangeiras (geralmente os Estados Unidos ou Israel).
O movimento de protesto é democrático e nacionalista, e é provável que fortaleça a posição regional e internacional dos países em que tiver êxito, porque vai instalar governos com legitimidade maior e, consequentemente, dotados de maior liberdade de manobra.
A difusão rápida do movimento por todo o Oriente Médio suscita outra pergunta: até que ponto a democratização (quer ela acabe por ser bem-sucedida, quer não) mudará o equilíbrio estratégico de poder?
O que está acontecendo no Bahrein é um bom indicativo do impacto geoestratégico possível. A divisão religiosa nesse país, onde uma minoria sunita governa a maioria xiita, sugere que uma vitória da democracia empurrará o Bahrein para a órbita do Irã, modificando consideravelmente o equilíbrio de poder no Golfo Pérsico.
Isso porque, entre outras razões, o Bahrein passará a ser visto como exemplo pelos xiitas da Arábia Saudita. É essa, pelo menos, a análise preferencial feita em Riad, e é ela que justifica o apoio saudita, contínuo e inequívoco, à família governante do Bahrein.
Contudo, a oposição barenita (que, por uma vez pelo menos, está associada a um partido político)
apresenta-se não como grupo sectário, mas como movimento que atrai cidadãos de todas as denominações religiosas.
Seus partidários agitam a bandeira nacional – a bandeira da família Khalifa –, e não o estandarte xiita nem as cores do Irã. Ela tem poucos vínculos com a teocracia iraniana, que colocou sob prisão domiciliar um de seus líderes espirituais, o aiatolá Shirazi. E a escola dominante de pensamento religioso no Bahrein, o “akhbarismo”, não é a escola predominante no Irã.
Em suma, a oposição barenita assumiu uma compleição nacional, como fizeram as oposições na Tunísia e no Egito.
Logo, a monarquia barenita encontra-se em um momento de virada. Ou ela continua a identificar-se com a minoria tribal Bani Utbah, que tomou o poder no século 18, ou aceita um conceito mais amplo de cidadania que abarque os dois lados da divisão religiosa – isso, aliás, é justamente o que os manifestantes vêm pedindo.
Nacionalizar-se dessa maneira é o que a monarquia marroquina vem conseguindo fazer no decorrer de sua longa história. No Marrocos, a maior parte da nação identificou-se com a monarquia, de tal modo que esse foi o único Estado árabe verdadeiramente independente durante a era otomana e que conservou sua identidade nacional sob o protetorado francês.
Hoje o movimento de protesto no Marrocos, em contraste com os de outros países da região, não procura solapar o sistema como tal. O que deseja é uma reforma, mais que uma revolução, e uma transição gradual para uma monarquia constitucional. Apesar disso, o círculo extenso que cerca o rei Mohammed 6º teme mudanças que tornem o poder mais transparente e o forcem a abandonar os privilégios de que desfruta.
No Iêmen, o governo está jogando com as velhas divisões entre os povos tribais e os moradores das cidades, além das divisões que separam as tribos do norte do país, historicamente hostis à elite urbana, dos democratas.
No pano de fundo há o movimento secessionista do sul, que se vê como o principal prejudicado pela
reunificação. O presidente Ali Abdullah Saleh terá pouca dificuldade em mobilizar as tribos, cuja intervenção, se acontecer, será sangrenta. Também na Líbia a oposição precisa enfrentar lealdades tribais, embora pareça ter dinamismo suficiente para superá-las.
Na Síria, onde as memórias do massacre de membros da Irmandade Muçulmana em Hama, em 1982, ainda são recentes, a minoria alauita, que detém o poder, sem dúvida sente-se ameaçada e, como Gaddafi, se disporia a resistir.
Na Argélia, enquanto isso, a sombra de dez anos de guerra civil está impedindo os protestos de se espalhar. O regime argelino implantou uma forma inovadora de autorrepressão entre a população, em que ninguém nunca sabe quem está massacrando quem. Isso permite que os militares exerçam o poder de modo mais ou menos sereno e discreto.
Em suma, ao jogarem com divisões culturais, os regimes autoritários no Oriente Médio enfraquecem seus próprios Estados, enquanto forças democráticas estão empurrando esses Estados na direção da homogeneização nacional maior.
Um dos resultados dessa onda de democratização pode ser o fortalecimento do nacionalismo, mas de um nacionalismo regido pela realpolitik, mais que por ideologias supranacionais de qualquer espécie.
Seja qual for o alcance de seu sucesso, é pouco provável que o movimento democrático crie novas formações geoestratégicas (como um choque entre xiitas e sunitas, por exemplo). Pelo contrário,é mais provável que leve ao fortalecimento dos nacionalismos sobre a base de uma administração mais satisfatória das divisões sociais e religiosas.
Contudo, se o nacionalismo sair triunfante, será um nacionalismo muito menos ideológico.
Uma consequência provável de tudo isso, embora inesperada, é a diminuição do papel exercido pelo conflito israelo-palestino na política regional. Ao mesmo tempo, isso terá o efeito de isolar Israel, que perderá seu status muito alardeado de única democracia do Oriente Médio.
É interessante observar quão pouco os integrantes dos novos movimentos vêm aludindo a Israel ou à Palestina, especialmente quando se considera que, até agora, essa situação (Israel-Palestina) vem servindo para frustrar a evolução política em outros países. Isso se deve a como essa situação vem sendo manipulada pelos regimes no poder, mas também por certa esquerda terceiro-mundista ocidental para a qual nada poderia mudar no Oriente Médio enquanto a questão da Palestina não for resolvida.
A cegueira em relação às sociedades árabes não vem sendo exclusiva dos governos ocidentais.
Se a relativa indiferença dos manifestantes em relação a Israel-Palestina tiver o efeito de relegar o governo de Tel Aviv ao segundo plano, ela também tem implicações para o Hezbollah, no Líbano.
Para o Hezbollah, o movimento em busca da democracia encerra dois problemas. Primeiro, ele ameaça
amesquinhar o papel regional do Hezbollah, reforçando a posição dos Estados-nação à custa das ideologias panárabes e pan-islâmicas.
O segundo problema é que ele substitui o pertencimento religioso pela noção da cidadania como fundamento desses Estados. Desse modo, o Hezbollah, que é ao mesmo tempo partido religioso e movimento ideológico vanguardista, vai perder parte da liderança moral que acumulou por opor-se aos regimes forçados e às negociações debaixo dos panos com Israel.
Resta ver como os novos regimes que vão emergir vão se comportar em relação a Israel. É provável que eles mantenham a paz fria, mas uma paz fria que force Israel a confrontar suas próprias contradições e obrigue as potências ocidentais a assumir suas responsabilidades.
Outra vítima colateral da democratização será a frente contra o Irã. Não porque o Irã vá ganhar popularidade, mas porque os novos governantes terão pouca disposição de empreender cruzadas no exterior e não vão mais precisar provar suas boas intenções para um Ocidente que, em lugar disso, terá de reconhecer a vontade do povo.


Olivier Roy foi consultor da ONU Oliver Roy, 62 anos, é professor de teoria social e política no Instituto Universidade Europeia, em Florença, na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais e no Instituto de Estudos Políticos, em Paris.
Um dos principais estudiosos europeus de religiões comparadas e das sociedades islâmicas, foi consultor das Nações Unidas para o Afeganistão. É também diretor de pesquisa no Centro Nacional de Pesquisa Científica, em Paris, além de ter sido professor visitante na Universidade da Califórnia, em Berkeley.
Publicou, entre outros livros, La Sainte Ignorance (A Santa Ignorância) e L´Échec de l´Islam Politique (O Fracasso do Islã Político), ambos pela editora francesa Seuil.



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