http://precisoaprenderlinguasestrangeiras.blogspot.com.br/

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Paulista de Guaraci, o professor da Universidade de Brasília (UnB) Jaime Santana é o novo decano de Pesquisa e Pós-graduação da instituição.






Prof. Dr. Jaime Martins de Santana 





quarta-feira, 26 de agosto de 2015

A MONTANHA DA VIDA

A MONTANHA DA VIDA

A vida pode ser comparada à escalada de uma montanha. A se desenha Como a vida, ela possui altos e baixos. Para ser conquistada, deve-se observar minuciosamente cada detalhe,cada tomada de decisão, a fim de que a chegada ao topo se dê com sucesso.


No início da escalada parece ser fácil. Quanto mais subimos, mais árduo vai se tornando o caminho.
Chegando a uma primeira etapa, necessitamos de toda a força para prosseguir. O importante é perseguir o ideal: chegar ao topo.
À medida que subimos, o panorama que se descortina é maravilhoso. As paisagens se desdobram à nossa vista, mostrando-nos o verde intenso das árvores, as rochas pontiagudas desafiando o céu. Lá embaixo, as casas dos homens tão pequenas...

É dali, do alto, que percebemos que os nossos problemas - aqueles que já foram superados - são do tamanho daquelas casinhas.

Um pequeno descuido nos faz perder o equilíbrio e cair . 
É aí que precisamos de um amigo para nos auxiliar. Podemos estar machucados, feridos ao ponto de não conseguir, por nós mesmos, sair do lugar. O amigo vem e nos cura os ferimentos.
Estende-nos as mãos, puxa-nos e nos auxilia a recomeçar a escalada. Os pés e as mãos vão se firmando, a corda nos prende ao amigo que nos puxa para a subida.

Na longa jornada, os espaços acima vão sendo conquistados dia a dia.

Por vezes, o ar parece tão rarefeito que sentimos dificuldade para respirar. O que nos salva é o equipamento certo para esse momento. Depois vêm as tempestades de neve, os ventos gélidos que são os problemas e as dificuldades que ainda não superamos.
Se escorregamos numa ladeira de incertezas, podemos usar as nossas habilidades para parar e voltar de novo. Se caímos num buraco de falsidade de alguém que estava coberto de neve, sabemos a técnica para nos levantar sem torcer o pé e sem machucar quem esteja por perto.

Para a escalada da montanha da vida, é preciso aprender a subir e descer, cair e levantar, mas voltar sempre com a mesma coragem. Não desistir nunca de uma nova felicidade, uma nova caminhada, uma nova paisagem, até chegar ao topo da montanha.

Emoticon like www.andremansur.com.br — com Ellen Machado Correa, Fátima Leite Câmara e Jakline Freitas Dos Anjos.

domingo, 23 de agosto de 2015

Este mundo da injustiça globalizada . José Saramago






Este mundo da injustiça globalizada

José Saramago


Ciberfil Literatura Digital


Texto lido na cerimônia de encerramento do Fórum Social Mundial 2002


Começarei por vos contar em brevíssimas palavras um fato notável da vida camponesa ocorrido numa
aldeia dos arredores de Florença há mais de quatrocentos anos. Permito-me pedir toda a vossa atenção
para este importante acontecimento histórico porque, ao contrário do que é corrente, a lição moral
extraível do episódio não terá de esperar o fim do relato, saltar-vos-á ao rosto não tarda.
Estavam os habitantes nas suas casas ou a trabalhar nos cultivos, entregue cada um aos seus afazeres e
cuidados, quando de súbito se ouviu soar o sino da igreja. Naqueles piedosos tempos (estamos a falar de
algo sucedido no século XVI) os sinos tocavam várias vezes ao longo do dia, e por esse lado não deveria
haver motivo de estranheza, porém aquele sino dobrava melancolicamente a finados, e isso, sim, era
surpreendente, uma vez que não constava que alguém da aldeia se encontrasse em vias de passamento.
Saíram portanto as mulheres à rua, juntaram-se as crianças, deixaram os homens as lavouras e os
mesteres, e em pouco tempo estavam todos reunidos no adro da igreja, à espera de que lhes dissessem a
quem deveriam chorar. O sino ainda tocou por alguns minutos mais, finalmente calou-se. Instantes
depois a porta abria-se e um camponês aparecia no limiar. Ora, não sendo este o homem encarregado de
tocar habitualmente o sino, compreende-se que os vizinhos lhe tenham perguntado onde se encontrava o
sineiro e quem era o morto. "O sineiro não está aqui, eu é que toquei o sino", foi a resposta do camponês.
"Mas então não morreu ninguém?", tornaram os vizinhos, e o camponês respondeu: "Ninguém que
tivesse nome e figura de gente, toquei a finados pela Justiça porque a Justiça está morta."
Que acontecera? Acontecera que o ganancioso senhor do lugar (algum conde ou marquês sem
escrúpulos) andava desde há tempos a mudar de sítio os marcos das estremas das suas terras, metendo-os
para dentro da pequena parcela do camponês, mais e mais reduzida a cada avançada. O lesado tinha
começado por protestar e reclamar, depois implorou compaixão, e finalmente resolveu queixar-se às
autoridades e acolher-se à protecção da justiça. Tudo sem resultado, a expoliação continuou. Então,
desesperado, decidiu anunciar
urbi et orbi
(uma aldeia tem o exacto tamanho do mundo para quem
sempre nela viveu) a morte da Justiça. Talvez pensasse que o seu gesto de exaltada indignação lograria
comover e pôr a tocar todos os sinos do universo, sem diferença de raças, credos e costumes, que todos
eles, sem excepção, o acompanhariam no dobre a finados pela morte da Justiça, e não se calariam até que
ela fosse ressuscitada. Um clamor tal, voando de casa em casa, de aldeia em aldeia, de cidade em cidade,
saltando por cima das fronteiras, lançando pontes sonoras sobre os rios e os mares, por força haveria de
acordar o mundo adormecido... Não sei o que sucedeu depois, não sei se o braço popular foi ajudar o
camponês a repor as estremas nos seus sítios, ou se os vizinhos, uma vez que a Justiça havia sido
declarada defunta, regressaram resignados, de cabeça baixa e alma sucumbida, à triste vida de todos os
dias. É bem certo que a História nunca nos conta tudo...
Suponho ter sido esta a única vez que, em qualquer parte do mundo, um sino, uma campânula de bronze
inerte, depois de tanto haver dobrado pela morte de seres humanos, chorou a morte da Justiça. Nunca
mais tornou a ouvir-se aquele fúnebre dobre da aldeia de Florença, mas a Justiça continuou e continua a
morrer todos os dias. Agora mesmo, neste instante em que vos falo, longe ou aqui ao lado, à porta da
nossa casa, alguém a está matando. De cada vez que morre, é como se afinal nunca tivesse existido para
aqueles que nela tinham confiado, para aqueles que dela esperavam o que da Justiça todos temos o direito
de esperar: justiça, simplesmente justiça. Não a que se envolve em túnicas de teatro e nos confunde com
flores de vã retórica judicialista, não a que permitiu que lhe vendassem os olhos e viciassem os pesos da
balança, não a da espada que sempre corta mais para um lado que para o outro, mas uma justiça pedestre,
uma justiça companheira quotidiana dos homens, uma justiça para quem o justo seria o mais exacto e
rigoroso sinónimo do ético, uma justiça que chegasse a ser tão indispensável à felicidade do espírito
como indispensável à vida é o alimento do corpo. Uma justiça exercida pelos tribunais, sem dúvida,
sempre que a isso os determinasse a lei, mas também, e sobretudo, uma justiça que fosse a emanação
espontânea da própria sociedade em acção, uma justiça em que se manifestasse, como um iniludível
imperativo moral, o respeito pelo
direito a ser
que a cada ser humano assiste.
Mas os sinos, felizmente, não tocavam apenas para planger aqueles que morriam. Tocavam também para
assinalar as horas do dia e da noite, para chamar à festa ou à devoção dos crentes, e houve um tempo, não
tão distante assim, em que o seu toque a rebate era o que convocava o povo para acudir às catástrofes, às
cheias e aos incêndios, aos desastres, a qualquer perigo que ameaçasse a comunidade. Hoje, o papel
social dos sinos encontra-se limitado ao cumprimento das obrigações rituais e o gesto iluminado do
camponês de Florença seria visto como obra desatinada de um louco ou, pior ainda, como simples caso
de polícia. Outros e diferentes são os sinos que hoje defendem e afirmam a possibilidade, enfim, da
implantação no mundo daquela justiça companheira dos homens, daquela justiça que é condição da
felicidade do espírito e até, por mais surpreendente que possa parecer-nos, condição do próprio alimento
do corpo. Houvesse essa justiça, e nem um só ser humano mais morreria de fome ou de tantas doenças
que são curáveis para uns, mas não para outros. Houvesse essa justiça, e a existência não seria, para mais
de metade da humanidade, a condenação terrível que objectivamente tem sido. Esses sinos novos cuja
voz se vem espalhando, cada vez mais forte, por todo o mundo são os múltiplos movimentos de
resistência e acção social que pugnam pelo estabelecimento de uma nova justiça distributiva e comutativa
que todos os seres humanos possam chegar a reconhecer como intrinsecamente sua, uma justiça
protectora da liberdade e do direito, não de nenhuma das suas negações. Tenho dito que para essa justiça
dispomos já de um código de aplicação prática ao alcance de qualquer compreensão, e que esse código se
encontra consignado desde há cinquenta anos na Declaração Universal dos Direitos Humanos, aquelas
trinta direitos básicos e essenciais de que hoje só vagamente se fala, quando não sistematicamente se
silencia, mais desprezados e conspurcados nestes dias do que o foram, há quatrocentos anos, a
propriedade e a liberdade do camponês de Florença. E também tenho dito que a Declaração Universal
dos Direitos Humanos, tal qual se encontra redigida, e sem necessidade de lhe alterar sequer uma vírgula,
poderia substituir com vantagem, no que respeita a rectidão de princípios e clareza de objectivos, os
programas de todos os partidos políticos do orbe, nomeadamente os da denominada esquerda,
anquilosados em fórmulas caducas, alheios ou impotentes para enfrentar as realidades brutais do mundo
actual, fechando os olhos às já evidentes e temíveis ameaças que o futuro está a preparar contra aquela
dignidade racional e sensível que imaginávamos ser a suprema aspiração dos seres humanos.
Acrescentarei que as mesmas razões que me levam a referir-me nestes termos aos partidos políticos em
geral, as aplico por igual aos sindicatos locais, e, em consequência, ao movimento sindical internacional
no seu conjunto. De um modo consciente ou inconsciente, o dócil e burocratizado sindicalismo que hoje
nos resta é, em grande parte, responsável pelo adormecimento social decorrente do processo de
globalização económica em curso. Não me alegra dizê-lo, mas não poderia calá-lo. E, ainda, se me
autorizam a acrescentar algo da minha lavra particular às fábulas de La Fontaine, então direi que, se não
interviermos a tempo, isto é, já, o rato dos direitos humanos acabará por ser implacavelmente devorado
pelo gato da globalização económica.
E a democracia, esse milenário invento de uns atenienses ingénuos para quem ela significaria, nas
circunstâncias sociais e políticas específicas do tempo, e segundo a expressão consagrada, um governo
do povo, pelo povo e para o povo? Ouço muitas vezes argumentar a pessoas sinceras, de boa fé
comprovada, e a outras que essa aparência de benignidade têm interesse em simular, que, sendo embora
uma evidência indesmentível o estado de catástrofe em que se encontra a maior parte do planeta, será
precisamente no quadro de um sistema democrático geral que mais probabilidades teremos de chegar à
consecução plena ou ao menos satisfatória dos direitos humanos. Nada mais certo, sob condição de que
fosse efectivamente democrático o sistema de governo e de gestão da sociedade a que actualmente vimos
chamando democracia. E não o é. É verdade que podemos votar, é verdade que podemos, por delegação
da partícula de soberania que se nos reconhece como cidadãos eleitores e normalmente por via partidária,
escolher os nossos representantes no parlamento, é verdade, enfim, que da relevância numérica de tais
representações e das combinações políticas que a necessidade de uma maioria vier a impor sempre
resultará um governo. Tudo isto é verdade, mas é igualmente verdade que a possibilidade de acção
democrática começa e acaba aí. O eleitor poderá tirar do poder um governo que não lhe agrade e pôr
outro no seu lugar, mas o seu voto não teve, não tem, nem nunca terá qualquer efeito visível sobre a
única e real força que governa o mundo, e portanto o seu país e a sua pessoa: refiro-me, obviamente, ao
poder económico, em particular à parte dele, sempre em aumento, gerida pelas empresas multinacionais
de acordo com estratégias de domínio que nada têm que ver com aquele bem comum a que, por
definição, a democracia aspira. Todos sabemos que é assim, e contudo, por uma espécie de automatismo
verbal e mental que não nos deixa ver a nudez crua dos factos, continuamos a falar de democracia como
se se tratasse de algo vivo e actuante, quando dela pouco mais nos resta que um conjunto de formas
ritualizadas, os inócuos passes e os gestos de uma espécie de missa laica. E não nos apercebemos, como
se para isso não bastasse ter olhos, de que os nossos governos, esses que para o bem ou para o mal
elegemos e de que somos portanto os primeiros responsáveis, se vão tornando cada vez mais em meros
"comissários políticos" do poder económico, com a objectiva missão de produzirem as leis que a esse
poder convierem, para depois, envolvidas no açúcares da publicidade oficial e particular interessada,
serem introduzidas no mercado social sem suscitar demasiados protestos, salvo os certas conhecidas
minorias eternamente descontentes...
Que fazer? Da literatura à ecologia, da fuga das galáxias ao efeito de estufa, do tratamento do lixo às
congestões do tráfego, tudo se discute neste nosso mundo. Mas o sistema democrático, como se de um
dado definitivamente adquirido se tratasse, intocável por natureza até à consumação dos séculos, esse não
se discute. Ora, se não estou em erro, se não sou incapaz de somar dois e dois, então, entre tantas outras
discussões necessárias ou indispensáveis, é urgente, antes que se nos torne demasiado tarde, promover
um debate mundial sobre a democracia e as causas da sua decadência, sobre a intervenção dos cidadãos
na vida política e social, sobre as relações entre os Estados e o poder económico e financeiro mundial,
sobre aquilo que afirma e aquilo que nega a democracia, sobre o direito à felicidade e a uma existência
digna, sobre as misérias e as esperanças da humanidade, ou, falando com menos retórica, dos simples
seres humanos que a compõem, um por um e todos juntos. Não há pior engano do que o daquele que a si
mesmo se engana. E assim é que estamos vivendo.
Não tenho mais que dizer. Ou sim, apenas uma palavra para pedir um instante de silêncio. O camponês
de Florença acaba de subir uma vez mais à torre da igreja, o sino vai tocar. Ouçamo-lo, por favor.

18/03/2002

Pablo Picasso Quotes

Pablo Picasso Quotes

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

DEPUTADOS E SENADORES ,DEIXEM DE BLÁ BLÁAAAAAAA;!VOTAMOS EM VOCÊS PARA QUE TRABALHEM .

DEIXEM DE BLÁ,BLÁ.POLITICO.









A Câmara dos Deputados é composta por 513 membros, que recebem um salário mensal de aproximadamente R$ 16.000,00. 

A quantidade de deputados é estabelecida no ano anterior às eleições, pois o número de representantes por cada estado é fixado conforme o quantitativo de habitantes de cada unidade federativa. Nesse sentido, estados mais populosos elegem mais deputados federais. No entanto, o número máximo de deputados por estado é de 70 e o número mínimo, 8.








Vida

Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas 
que eu nunca pensei que iriam me decepcionar,
mas também já decepcionei alguém.

Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
e amigos que eu nunca mais vi.

Amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.

Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
e quebrei a cara muitas vezes!

Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).

Mas vivi!
E ainda vivo!
Não passo pela vida.
E você também não deveria passar!

Viva!!

Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é muito para ser insignificante.

Augusto Branco

domingo, 5 de julho de 2015

Vida







Vida


Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que
mais queremos é tirar esta pessoa de nossos sonhos e abraçá-la.
Sonhe com aquilo que você quiser. Vá para onde você queira ir.
Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só
temos uma chance de fazer aquilo que queremos.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades para fazê-la
forte.
Tristeza para fazê-la humana. E esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas. Elas sabem fazer o
melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos. A felicidade
aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se machucam. Para
aqueles que buscam e tentam sempre. E para aqueles que reconhecem a
importância das pessoas que passam por suas vidas.
O futuro mais brilhante é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida quando perdoar os erros e as decepções do
passado.
A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar, duram uma
eternidade.
A vida não é de se brincar porque em pleno dia se morre." 




                       Clarice Lispector 




                                  

sábado, 16 de maio de 2015

A UM BRUXO, COM AMOR



Em 1959, Drummond publicou o poema "A um Bruxo com Amor"




A UM BRUXO, COM AMOR

Em certa casa da Rua Cosme Velho
(que se abre no vazio)
venho visitar-te; e me recebes
na sala trajestada com simplicidade
onde pensamentos idos e vividos
perdem o amarelo
de novo interrogando o céu e a noite.

Outros leram da vida um capítulo, tu leste o livro inteiro.
Daí esse cansaço nos gestos e, filtrada,
uma luz que não vem de parte alguma
pois todos os castiçais
estão apagados.

Contas a meia voz
maneiras de amar e de compor os ministérios
e deitá-los abaixo, entre malinas
e bruxelas.
Conheces a fundo
a geologia moral dos Lobo Neves
e essa espécie de olhos derramados
que não foram feitos para ciumentos.

E ficas mirando o ratinho meio cadáver
com a polida, minuciosa curiosidade
de quem saboreia por tabela
o prazer de Fortunato, vivisseccionista amador.
Olhas para a guerra, o murro, a facada
como para uma simples quebra da monotonia universal
e tens no rosto antigo
uma expressão a que não acho nome certo
(das sensações do mundo a mais sutil):
volúpia do aborrecimento?
ou, grande lascivo, do nada?

O vento que rola do Silvestre leva o diálogo,
e o mesmo som do relógio, lento, igual e seco,
tal um pigarro que parece vir do tempo da Stoltz e do gabinete Paraná,
mostra que os homens morreram.
A terra está nua deles.
Contudo, em longe recanto,
a ramagem começa a sussurar alguma coisa
que não se estende logo
a parece a canção das manhãs novas.
Bem a distingo, ronda clara:
É Flora,
com olhos dotados de um mover particular
ente mavioso e pensativo;
Marcela, a rir com expressão cândida (e outra coisa);
Virgília,
cujos olhos dão a sensação singular de luz úmida;
Mariana, que os tem redondos e namorados;
e Sancha, de olhos intimativos;
e os grandes, de Capitu, abertos como a vaga do mar lá fora,
o mar que fala a mesma linguagem
obscura e nova de D. Severina
e das chinelinhas de alcova de Conceição.
A todas decifrastes íris e braços
e delas disseste a razão última e refolhada
moça, flor mulher flor
canção de mulher nova…
E ao pé dessa música dissimulas (ou insinuas, quem sabe)
o turvo grunhir dos porcos, troça concentrada e filosófica
entre loucos que riem de ser loucos
e os que vão à Rua da Misericórdia e não a encontram.
O eflúvio da manhã,
quem o pede ao crepúsculo da tarde?
Uma presença, o clarineta,
vai pé ante pé procurar o remédio,
mas haverá remédio para existir
senão existir?
E, para os dias mais ásperos, além
da cocaína moral dos bons livros?
Que crime cometemos além de viver
e porventura o de amar
não se sabe a quem, mas amar?

Todos os cemitérios se parecem,
e não pousas em nenhum deles, mas onde a dúvida
apalpa o mármore da verdade, a descobrir
a fenda necessária;
onde o diabo joga dama com o destino,
estás sempre aí, bruxo alusivo e zombeteiro,
que resolves em mim tantos enigmas.

Um som remoto e brando
rompe em meio a embriões e ruínas,
eternas exéquias e aleluias eternas,
e chega ao despistamento de teu pencenê.
O estribeiro Oblivion
bate à porta e chama ao espetáculo
promovido para divertir o planeta Saturno.
Dás volta à chave,
envolves-te na capa,
e qual novo Ariel, sem mais resposta,
sais pela janela, dissolves-te no ar.










Em 1925, o jovem poeta Carlos Drummond de Andrade publicou n'A Revista, de Belo Horizonte, um artigo intitulado "Sobre a tradição em literatura", no qual afirma que, em relação a Machado de Assis, o melhor a fazer é repudiá-lo. 



Aos 22 anos, cheio de ímpeto juvenil, Drummond considerava Machado um romancista tão curioso quanto monótono, mestre de falsas lições, um "entrave à obra de renovação da cultura geral".

Três décadas mais tarde, em 1959, Drummond publicou o poema "A um Bruxo com Amor", uma das mais belas homenagens de escritor para escritor na literatura brasileira. O bruxo do título, obviamente, é Machado; e o poema compõe-se quase inteiramente de frases e expressões tiradas de crônicas, poemas, contos e romances do autor de Dom Casmurro.


Machado de Assis, 
o Bruxo do Cosme  Velho


O que teria se passado com Drummond?

Essa rendição a Machado tem muito a ver com a trajetória do poeta, que ao longo dos anos se distanciou do modernismo iconoclasta, aproximando-se mais e mais da tradição literária, compondo também poemas com metros, rimas e formas clássicas.

Mas essa assimilação lenta e tardia da obra de Machado de Assis mostra também como ele foi uma enorme pedra no caminho dos primeiros modernistas, investidos do propósito combativo de romper com tudo o que soasse a convenção e academicismo. Machado, fundador e presidente vitalício da Academia Brasileira de Letras, foi também um emblema do espírito convencional e acadêmico, aspectos seus muito valorizados nos anos compreendidos entre sua morte, em 1908, e a renovação modernista.

Talvez por isso o silêncio quase sepulcral em torno de Machado durante a década de 1920. Para se ter uma ideia da dimensão desse silêncio, ao longo de toda a década foram publicados cerca de cem textos sobre Machado nos jornais, revistas e editoras de todo o país; nos anos 30, foram mais de 700.

A obra mais significativa de toda a década de 20 foi a reunião da correspondência de Machado de Assis com Joaquim Nabuco, publicada em 1923 por Graça Aranha, com um longo prefácio do autor de Canaã. De resto, o que dominou foi uma espécie das velhas questões associadas à obra - o humor, as figuras femininas, a timidez do escritor... Além disso, certa ênfase no lusitanismo da dicção e a insistência no academicismo do escritor calaram fundo nos círculos modernistas, afastando-os da figura e da obra machadianas, muitas vezes lembrada pela colocação de pronomes correta demais, portuguesa demais.

Dedicados os modernistas à reavaliação e à releitura do nacionalismo oitocentista e da relação da cultura brasileira com as matrizes europeias, a referência mais óbvia e mais positiva para eles era José de Alencar, muito mais forte e presente do que a figura algo incômoda e inclassificável de Machado de Assis.

Por isso, a visão do jovem poeta, que em 1925 ainda assinava Carlos Drummond, não poderia oferecer síntese melhor do entrave que Machado de Assis representava para as novas gerações. Ao contrário de Mário de Andrade, que diria ser impossível amar Machado, Drummond declara seu amor, mas também dá a medida do peso que Machado significava para a sua geração:

"Que cada um de nós faça o íntimo e ignorado sacrifício de suas predileções, e queime silenciosamente os seus ídolos, quando perceber que estes ídolos e essas predileções são um entrave à obra de renovação da cultura geral. Amo tal escritor patrício do século 19, pela magia irreprimível de seu estilo e pela genuína aristocracia de seu pensamento. Mas se considerar que este escritor é um desvio na orientação que deve seguir a mentalidade de meu país, para a qual um bom estilo é o mais vicioso dos dons, e a aristocracia um refinamento ainda impossível e indesejável, que devo fazer? A resposta é clara e reta: repudiá-lo. Chamemos este escritor pelo nome: é o grande Machado de Assis".

Foram pouquíssimos os jovens da década de 20 que tiveram a coragem de dizer aos quatro ventos o que Drummond escreveu, tentando digerir em praça pública a presença ao mesmo tempo incontornável e indigesta de Joaquim Maria.

"O escritor mais fino do Brasil será o menos representativo de todos", escreve Drummond no mesmo artigo e certamente não diz isso por insensibilidade, falta de inteligência ou afinidade com a dicção machadiana - muito pelo contrário, difícil pensar num poeta mais machadiano que Drummond. Dizia isso porque essa era a possibilidade de leitura que ele e sua geração tinham àquela altura. "A razão está sempre com a mocidade", sentencia Drummond. É preciso que a mocidade tenha razão a qualquer custo e possa sacrificar seus ídolos, para não cair no imobilismo. Foi um pouco isso que Drummond e seus colegas de geração fizeram ao virar as costas para Machado durante a década de 20.

O longo silêncio de todos eles na década anterior pode ser atribuído também ao fato de estarem absorvidos pelos próprios projetos literários. Também é razoável supor, até pelo que escreveram mais tarde, que o silêncio se devia ao desconforto causado pela figura de Machado de Assis, tão associada ao academicismo e transformado numa espécie de medalhão.

Por isso, talvez não seja acaso que tanto Mário de Andrade como Manuel Bandeira, quando escreveram sobre Machado, tenham dado tanta atenção à sua poesia, ressaltando seu aspecto técnico e convencional, deixando um pouco à sombra a prosa, certamente mais fora do esquadro e das expectativas e, portanto, mais difícil de ser compreendida.